domingo, 17 de novembro de 2013

Poema tardio


Tarde te olhei, e não te vi, não te enxerguei, te olhava nos olhos, mas não conseguia enxergar a tua alma, havia um profundo mistério nela... Eu insisti, sou teimosa, olhei de novo e de novo, e os seus olhos queriam me dizer algo escondido doido pra ser revelado, decifrado, ou talvez apenas compreendido.
Tarde te olhei, sou teimosa, ali haviam histórias emocionantes, aventuras incríveis e um belo coração, um pouco cansado de ser enganado, com medo de amar, mas tão lindo, tão formoso, tão sereno...
Já estava tarde, mas eu te olhei, e te olhei profundamente, tanto que os meus olhos já não conseguiam se desviar dos teus, nossos mundos naquele momento entraram em perfeita conexão.
Sim, eu te olhei, eu te enxerguei, eu te amei, como nunca e jamais amei alguém, e quando a gente se olhava, era como se nos transportássemos para outra dimensão.
Amor romântico, amor bandido, amor amigo, amor profundo, amor paixão, amor, apenas amor...
Era tarde, bem de tardezinha, e anoiteceu, as luzes se apagaram, e eu não consegui mais te enxergar, o seu rosto sumiu de repente, os nossos olhos se desviaram. Eu olhei para a lua, e pedi com todas as minhas forças que nos iluminasse, mas já era tarde, amanheceu, e você não estava mais ali...
Amanheceu, os raios de sol adentraram à minha janela, luz insuportável, estava claro, mas o dia estava escuro demais para mim, eu não conseguia abrir os olhos, eu não queria olhar em outros olhos que não fossem os teus... Chegou a tarde, a nossa tarde, mas já era tarde, tarde demais, você se foi, e anoiteceu....
Novamente a lua estava lá, muda, calada e sem graça, as estrelas suas amigas, zombavam de mim...
E assim se passaram longos e sombrios dias, até eu perceber que a dor da sua ausência se justificava na luz que eu encontrei no teu olhar, que não há a noite sem o dia, eu te enxerguei meu bem, eu encontrei o tesouro do teu coração que é só meu, e está comigo guardado e que eu nunca vou devolver, sou egoísta.
Sou um pouco sua, você é um pouco meu, mas nunca nos pertencemos...
Eu te desejo sorte meu bem, te desejo amor, te desejo liberdade...
Enquanto a mim meu bem, seguirei cantando, canções lindas sobre o sol e sobre a lua, cheias de poesias, de tesouros e de luz, quem sabe um dia através das ondas sonoras elas cheguem até você e você se lembre do nosso olhar.

Voe, voe alto!

Lauane Ferraz





segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Amor

O que é o amor?
Amor é...
Isto ou aquilo
Incógnita

Amor se sente
Se morde
Se rasga 
Se doa

O amor é colorido
Vermelho, amarelo
Azul ou rosa
Branco e preto

Amor é céu
É abismo
É dor 
É delícia

Amor é flor
É espinho
É correr
Sem destino

Amor é filme
É drama
Comédia
Novela

Amor é mar
É brisa
Chega de repente
E pousa no coração da gente.

Lauane Ferraz



terça-feira, 1 de outubro de 2013

Tente outra vez!













Hoje eu quero deixar os meus medos de lado, quero arriscar aquilo que pode não dar certo, o que é dar certo? Existe um fim? 
O medo nos paralisa, o medo nos impede de viver, eis a minha maior vontade: viver!
"Viver e não ter a vergonha de ser feliz, cantar e cantar e cantar a beleza de ser um eterno aprendiz..." (o que é o que é- Gonzaguinha)
Arriscar assusta, sair da zona de conforto assusta, crescer assusta, viver assusta...
É preciso se permitir, não ter medo de errar, ousar, quebrar a cara de vez em quando, por que não?
A resposta negativa a gente já tem, precisamos arriscar a acertar...
Temos muitos medos dentro da gente, aqueles que só a gente conhece, e como vencê-los?
Desafiando-os!
Desafie o seu medo, você é muito maior que ele.
Mas um passo de cada vez, calma, a gente não aprende tão rápido! Porém, nunca iremos aprender se não tentarmos.
Tente outra vez!
"Veja, não diga que a canção está perdida, tenha fé em Deus tenha fé na vida, tente outra vez!" (Tente outra vez- Raul Seixas)
Talvez um dia possamos nos arrepender do que fizemos, mas o arrependimento é sinal de que não tivemos medo de tentar. Não tenha medo de tentar e nem se culpe quando fizer algo que não deu certo... Tente!
Tem medo de partir seu coração? quem nunca?
Junte os cacos, recomece!
Amor e ódio andam juntos, alegrias e dores, bem e mal, arroz e feijão, calor e frio, presença e ausência, som e silêncio...
Existe uma enorme diferença entre viver e sobreviver. Sobrevive aquele que apenas vê a vida passar, quem realmente vive é aquele que não tem medo de tentar!

Tente outra vez!

 Lauane Ferraz.



quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Tirando as máscaras


Tenho apenas 22 anos, me considero nova, mas já vivi muitas coisas que me trouxeram alguma sabedoria. Uma delas é que, eu não preciso falar mal de ninguém, porque as máscaras caem com o tempo, mais cedo ou mais tarde. Conheci pessoas que usavam máscaras diversas, a da vida perfeita, felicidade absoluta, inquebrantabilidade, tão auto-suficientes, mas tudo não passava de máscaras, por medo de não ser aceito pelo que é, ou de ser julgado por aquilo que não é, mas que gostaria de ser. Como diz Caetano: "Cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é..."
Ando com preguiça de algumas pessoas, dessas mascaradas e das manipuladoras, que acham que podem enganar aos outros quando na verdade estão enganando a si mesmos. Mal sabem elas que a própria consciência é o seu pior inimigo!

Eu prefiro ser verdadeira, me ame pelo que sou, ou me odeie pelo mesmo.

terça-feira, 11 de junho de 2013

Namore-se

















“Fundamental é mesmo o amor, é impossível ser feliz sozinho...”
Durante muito tempo, concordei com a célebre frase da música Wave de Tom Jobim, mas me questionava se realmente é verdade, até me deparar com o texto de Jô Soares em que diz: “A melhor maneira de ser feliz com alguém, é aprender a ser feliz sozinho. Daí a companhia será uma questão de escolha e não de necessidade” intencionalmente ou não, contrariando Tom Jobim, Jô Soares matou a pau!
Daí eu acrescento: Fundamental é mesmo o amor, é impossível ser feliz sem se amar!
Todos nós queremos um amor, para amar e ser amado. Queremos ser felizes ao lado de alguém especial. Mas para que isso aconteça de maneira saudável, eu te aconselho: Seja feliz sozinho! E isso é perfeitamente possível, mas tem uma receita que devemos seguir, duas palavrinhas mágicas: Amor próprio!
Se ame mais! Amar a si, requer autoconhecimento, e a aceitação de si é o ponto de partida. A pessoa que não gosta de si geralmente é insegura, ciumenta, chata. A pessoa que se conhece, sabe dos defeitos e qualidade que possui, é mais compreensiva e sabe o que quer e o que não quer.
Cada um de nós temos um universo interior, e namorar talvez seja isso, uma oportunidade de viajar pelo universo do outro. É saber lidar com os nossos egoísmos, é se doar, cuidar, sorrir, chorar, brigar, reconciliar, enfim amar.
O amor acaba?
Há quem diga que se o amor acabou, é porque na verdade nunca existiu!
Discordo, acredito que o amor nunca morre de morte natural, ele morre aos poucos através de atitudes e palavras afiadas que podem penetrar nossa alma e fazer grandes estragos, e assim aos poucos, matar um amor que poderia ser lindo, se preservado, cultivado e regado como uma delicada flor. É preciso saber amar, ter cuidado e zelo pelo sentimento da pessoa que está ao seu lado compartilhando um pouco de si com você.
O respeito é o alicerce do namoro, a base forte do amor, onde se cria raízes pra que se algum dia o amor acabar, ainda reste a amizade. Há quem diga que é impossível ser amigo de ex, mas há quem consiga! Geralmente os casais que conseguem essa proeza foram namorados que acima de tudo foram amigos e que souberam se respeitar.
 “O casamento é um namoro que deu certo” (Felipe Aquino)
O namoro tem perdido seu valor, as pessoas estão cansadas de se decepcionar e muitas, desacreditadas do amor. O namoro é pra fazer o outro crescer e não para destruí-lo. Têm pessoas se tornando simples objetos descartáveis. Essas pessoas permitem ser tratadas de qualquer maneira e se enrolam num emaranhado de desilusões. Essas pessoas não se amam, e dificilmente saberão amar, a menos que se proponha a se conhecer e a se amar primeiro.
“Fundamental é mesmo o amor, é impossível ser feliz sem se amar!”

Ame-se, namore-se!

By: Lauane Ferraz








quarta-feira, 10 de abril de 2013

Pequenas coragens


Eu quero dançar na chuva
Quero correr perigo
Quero cantar uma canção que fale de amor
Quero cheirar a flor

Eu quero novos amigos
Quero deitar na grama
Quero matar a sede
quero pisar na lama

Eu quero rir à toa
Quero viajar
Quero correr sem rumo
Quero ver o mar

Eu quero sentir cheiro de terra molhada
Quero a crua verdade
Quero a nua beleza
Quero a felicidade.

By: Lauane Ferraz.

quarta-feira, 6 de março de 2013

"Sinta-se amado"


O cara diz que te ama, então tá. Ele te ama.

Sua mulher diz que te ama, então assunto encerrado.

Você sabe que é amado porque lhe disseram isso, as três palavrinhas mágicas. Mas saber-se amado é uma coisa, sentir-se amado é outra, uma diferença de milhas, um espaço enorme para a angústia instalar-se.

A demonstração de amor requer mais do que beijos, sexo e verbalização, apesar de não sonharmos com outra coisa: se o cara beija, transa e diz que me ama, tenha a santa paciência, vou querer que ele faça pacto de sangue também?

Pactos. Acho que é isso. Não de sangue nem de nada que se possa ver e tocar. É um pacto silencioso que tem a força de manter as coisas enraizadas, um pacto de eternidade, mesmo que o destino um dia venha a dividir o caminho dos dois.

Sentir-se amado é sentir que a pessoa tem interesse real na sua vida, que zela pela sua felicidade, que se preocupa quando as coisas não estão dando certo, que sugere caminhos para melhorar, que coloca-se a postos para ouvir suas dúvidas e que dá uma sacudida em você, caso você esteja delirando. "Não seja tão severa consigo mesma, relaxe um pouco. Vou te trazer um cálice de vinho".

Sentir-se amado é ver que ela lembra de coisas que você contou dois anos atrás, é vê-la tentar reconciliar você com seu pai, é ver como ela fica triste quando você está triste e como sorri com delicadeza quando diz que você está fazendo uma tempestade em copo d´água. "Lembra que quando eu passei por isso você disse que eu estava dramatizando? Então, chegou sua vez de simplificar as coisas. Vem aqui, tira este sapato."

Sentem-se amados aqueles que perdoam um ao outro e que não transformam a mágoa em munição na hora da discussão. Sente-se amado aquele que se sente aceito, que se sente bem-vindo, que se sente inteiro. Sente-se amado aquele que tem sua solidão respeitada, aquele que sabe que não existe assunto proibido, que tudo pode ser dito e compreendido. Sente-se amado quem se sente seguro para ser exatamente como é, sem inventar um personagem para a relação, pois personagem nenhum se sustenta muito tempo. Sente-se amado quem não ofega, mas suspira; quem não levanta a voz, mas fala; quem não concorda, mas escuta.

Agora sente-se e escute: eu te amo não diz tudo.
Martha Medeiros

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Mulher Boazinha



Qual o elogio que uma mulher adora receber?
Bom, se você está com tempo, pode-se listar aqui uns setecentos:
mulher adora que verbalizem seus atributos, sejam eles físicos ou morais.
Diga que ela é uma mulher inteligente, e ela irá com a sua cara.
Diga que ela tem um ótimo caráter e um corpo que é uma provocação,
e ela decorará o seu número.
Fale do seu olhar, da sua pele, do seu sorriso, da sua presença de espírito,
da sua aura de mistério, de como ela tem classe:
ela achará você muito observador e lhe dará uma cópia da chave de casa.
Mas não pense que o jogo está ganho: manter o cargo vai depender da sua
perspicácia para encontrar novas qualidades nessa mulher poderosa, absoluta.
Diga que ela cozinha melhor que a sua mãe,
que ela tem uma voz que faz você pensar obscenidades,
que ela é um avião no mundo dos negócios.
Fale sobre sua competência, seu senso de oportunidade,
seu bom gosto musical.
Agora quer ver o mundo cair?
Diga que ela é muito boazinha.
Descreva aí uma mulher boazinha.
Voz fina, roupas pastel, calçados rente ao chão.
Aceita encomendas de doces, contribui para a igreja,
cuida dos sobrinhos nos finais de semana.
Disponível, serena, previsível, nunca foi vista negando um favor.
Nunca teve um chilique.
Nunca colocou os pés num show de rock.
É queridinha.
Pequeninha.
Educadinha.
Enfim, uma mulher boazinha.
Fomos boazinhas por séculos.
Engolíamos tudo e fingíamos não ver nada, ceguinhas.
Vivíamos no nosso mundinho, rodeadas de panelinhas e nenezinhos.
A vida feminina era esse frege: bordados, paredes brancas,
crucifixo em cima da cama, tudo certinho.
Passamos um tempão assim, comportadinhas, enquanto íamos alimentando um
desejo incontrolável de virar a mesa.
Quietinhas, mas inquietas.
Até que chegou o dia em que deixamos de ser as coitadinhas.
Ninguém mais fala em namoradinhas do Brasil: somos atrizes,
estrelas, profissionais.
Adolescentes não são mais brotinhos: são garotas da geração teen.
Ser chamada de patricinha é ofensa mortal.
Pitchulinha é coisa de retardada.
Quem gosta de diminutivos, definha.
Ser boazinha não tem nada a ver com ser generosa.
Ser boa é bom, ser boazinha é péssimo.
As boazinhas não têm defeitos.
Não têm atitude.
Conformam-se com a coadjuvância.
PH neutro.
Ser chamada de boazinha, mesmo com a melhor das intenções,
é o pior dos desaforos.
Mulheres bacanas, complicadas, batalhadoras, persistentes, ciumentas,
apressadas, é isso que somos hoje.
Merecemos adjetivos velozes, produtivos, enigmáticos.
As “inhas” não moram mais aqui.
Foram para o espaço, sozinhas.
Martha Medeiros.

domingo, 10 de fevereiro de 2013

A despedida do amor



Existem duas dores de amor:

A primeira é quando a relação termina e a gente, seguindo amando, tem que se acostumar com a ausência do outro, com a sensação de perda, de rejeição e com a falta de perspectiva, já que ainda estamos tão embrulhados na dor que não conseguimos ver luz no fim do túnel.

A segunda dor é quando começamos a vislumbrar a luz no fim do túnel.

A mais dilacerante é a dor física da falta de beijos e abraços, a dor de virar desimportante para o ser amado.

Mas, quando esta dor passa, começamos um outro ritual de despedida: a dor de abandonar o amor que sentíamos. A dor de esvaziar o coração, de remover a saudade, de ficar livre, sem sentimento especial por aquela pessoa. Dói também...

Na verdade, ficamos apegados ao amor tanto quanto à pessoa que o gerou. Muitas pessoas reclamam por não conseguir se desprender de alguém. É que, sem se darem conta, não querem se desprender. Aquele amor, mesmo não retribuído, tornou-se um souvenir, lembrança de uma época bonita que foi vivida... Passou a ser um bem de valor inestimável, é uma sensação à qual a gente se apega. Faz parte de nós. Queremos, lógicamente, voltar a ser alegres e disponíveis, mas para isso é preciso abrir mão de algo que nos foi caro por muito tempo, que de certa maneira entranhou-se na gente, e que só com muito esforço é possível alforriar.

É uma dor mais amena, quase imperceptível. Talvez, por isso, costuma durar mais do que a "dor-de-cotovelo" propriamente dita. É uma dor que nos confunde. Parece ser aquela mesma dor primeira, mas já é outra. A pessoa que nos deixou já não nos interessa mais, mas interessa o amor que sentíamos por ela, aquele amor que nos justificava como seres humanos, que nos colocava dentro das estatísticas: "Eu amo, logo existo".

Despedir-se de um amor é despedir-se de si mesmo. É o arremate de uma história que terminou, externamente, sem nossa concordância, mas que precisa também sair de dentro da gente...

E só então a gente poderá amar, de novo.



MARTHA MEDEIROS.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

"O amor e outros Males"


"Uma delicada leitora me escreve: não gostou de uma crônica minha de outro dia, sobre dois amantes que se mataram. Pouca
gente ou ninguém gostou dessa crônica; paciência. Mas o que a leitora estranha é que o cronista "qualifique o amor, o principal sentimento
da humanidade, de coisa tão incômoda". E diz mais: "Não é possível que o senhor não ame, e que, amando, julgue um sentimento
de tal grandeza incômodo".
Não, minha senhora, não amo ninguém; o coração está velho e cansado. Mas a lembrança que tenho de meu último amor, anos
atrás, foi exatamente isso que me inspirou esse vulgar adjetivo – "incômodo". Na época eu usaria talvez adjetivo mais bonito,
pois o amor, ainda que infeliz, era grande; mas é uma das tristes coisas desta vida sentir que um grande amor pode deixar apenas
uma lembrança mesquinha; daquele ficou apenas esse adjetivo, que a aborreceu.
Não sei se vale a pena lhe contar que a minha amada era linda; não, não a descreverei, porque só de revê-la em pensamento
alguma coisa dói dentro de mim. Era linda, inteligente, pura e sensível – e não me tinha, nem de longe, amor algum; apenas uma leve
amizade, igual a muitas outras e inferior a várias.
A história acaba aqui; é, como vê, uma história terrivelmente sem graça, e que eu poderia ter contado em uma só frase. Mas o
pior é que não foi curta. Durou, doeu e – perdoe, minha delicada leitora – incomodou.
Eu andava pela rua e sua lembrança era alguma coisa encostada em minha cara, travesseiro no ar; era um terceiro braço que
me faltava, e doía um pouco; era uma gravata que me enforcava devagar, suspensa de uma nuvem. A senhora acharia exagerado se
eu lhe dissesse que aquele amor era uma cruz que eu carregava o dia inteiro e à qual eu dormia pregado; então serei mais modesto
e mais prosaico dizendo que era como um mau jeito no pescoço que de vez em quando doía como bursite. Eu já tive um mês de bursite,
minha senhora; dói de se dar guinchos, de se ter vontade de saltar pela janela. Pois que venha outra bursite, mas não volte nunca
um amor como aquele. Bursite é uma dor burra, que dói, dói, mesmo, e vai doendo; a dor do amor tem de repente uma doçura,
um instante de sonho que mesmo sabendo que não se tem esperança alguma a gente fica sonhando, como um menino bobo que vai
andando distraído e de repente dá uma topada numa pedra. E a angústia lenta de quem parece que está morrendo afogado no ar, e
o humilde sentimento de ridículo e de impotência, e o desânimo que às vezes invade o corpo e a alma, e a "vontade de chorar e de
morrer", de que fala o samba?
Por favor, minha delicada leitora; se, pelo que escrevo, me tem alguma estima, por favor: me deseje uma boa bursite."

Rubem Braga

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Silêncio



Silêncio, onde ele está? Sim, o silêncio! Ausência de som? impossível...
 Quando silencio, ouço as batidas do meu coração, e de repente, foi-se embora o silêncio que eu ingenuamente acreditei que houvesse. Num súbito insight, volto, bato à porta e pergunto: "Quem está aí?"
Ouço várias vozes das quais não consigo distinguir nenhuma, abro a porta devagar e quase sem ser notada, adentro àquela casa cheia de estranhos, alguns rostos conhecidos, pessoas que eu já nem me lembrava, momentos que passaram por mim, saudades, passado, presente, futuro, um futuro que ainda se sonha...
Sonho? Eles ainda existem lá dentro, alguns adormecidos ainda, outros gritando para serem concretizados...
Um desejo que me impulsiona a acreditar, em Deus, na humanidade, na vida...
Vale a pena sonhar! vale a pena acreditar...

By:Lauane Ferraz

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Flor serena


Ao amanhecer floresço, dou bom dia aos pássaros que me acordam com carinho ao cantar em minha janela.
Canto, e ao cantar devolvo ao universo toda minha gratidão pelas belezas imensuráveis que nele habitam.
Ao entardecer repenso, penso que não é tão tarde assim, ainda há tempo de me refazer e fazer diferente.
Danço, e ao dançar renovo-me, me abro às possibilidades e sorrio pra vida.
Ao anoitecer, renasço, como uma criança perplexa ao contemplar a beleza da lua.
Anoiteço, na esperança de mais um dia, florescer.

By: Lauane Ferraz.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Dança















Não te amo como se fosse rosa de sal, topázio

Ou flecha de cravos que propagam fogo:
Te amo como se amam certas coisas obscuras,
Secretamente, entre a sombra e a alma.



Te amo como a planta que não floresce e
Leva dentro de si, oculta, a luz daquelas flores.
E graças a teu amor, vive oculto em meu
Corpo o apertado aroma que ascende da terra.

Te amo sem saber como, nem quando, nem onde.
Te amo diretamente sem problemas nem orgulho;
Assim te amo porque não sei amar de outra maneira,

Senão assim, deste modo, em que não sou nem és.
Tão perto de tua mão sobre meu peito é minha,
Tão perto que se fecham teus olhos com meu sonho.


Pablo Neruda.